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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Carnaval



Algumas considerações sobre a data: Carnaval

 

Calendários variam conforme países e culturas. O ritmo que surgiu na Bahia e se sedimentou no Rio de Janeiro espalhou-se Brasil afora. Sendo assim, o samba tornou-se o gênero símbolo do Carnaval brasileiro.

 
O Rio de Janeiro de antigamente



No início do século 20, nas principais cidades brasileiras, a festa se dividia entre o Carnaval de elite e o popular. No primeiro havia corsos (desfiles de carruagens) e desfiles das sociedades carnavalescas, com carros alegóricos e bandas que tocavam marchas e até trechos de ópera. No outro predominavam blocos, cordões e ranchos, onde se ouvia chulas e lundus, ritmos populares que deram origem ao maxixe e ao samba.


  Carro alegórico em 1907



O corso reunia famílias mais abastadas que saíam com amigos e convidados em desfile com seus carros, fantasiados de pierrôs1, colombinas ou marinheiros, travando batalhas de confete e serpentina. Muitas vezes iam acompanhados de bandas tocando marchas. Ainda na metade do século 19 surgiram no Rio de Janeiro as sociedades carnavalescas, formadas por brancos da classe média e aristocratas que se reuniam para discutir negócios, jogar cartas, beber e organizar o carnaval.

Ao lado das marchinhas, o samba fixou-se no final dos anos de 1920, como principal ritmo do Carnaval do Rio de Janeiro. Nessa época nascem as primeiras escolas de samba. As mais famosas e tradicionais Mangueira e Portela, surgiram da união de grupos e blocos do morro de Mangueira e do subúrbio de Madureira que queriam se divertir com samba. Na era do rádio, a partir dos anos de 1930, e com o disco, o ritmo se espalharia pelo Brasil, predominando como gênero de Carnaval.


Na literatura brasileira – em livros de José de Alencar, Júlio Ribeiro entre outros – há inúmeras descrições a revelar que nas rodas de danças de negros da área rural, se criava um intercâmbio cultural provocado por aquela proximidade física das famílias brancas dos proprietários com seus escravos e colonos.

O carnaval de nossa gente, era o carnaval de antigamenteA Vida Como A Vida Quer



Para saber mais sobre ritmos e gêneros do Carnaval brasileiro, leia e ouça uma reportagem especial sobre marchinhas, com a temática Crônica Social em Forma de Música, publicada no site da Câmara dos Deputados.



1 Personagem sentimental da antiga comédia italiana que passou para o antigo teatro francês.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A dinâmica das relações


O que define uma pessoa agradável? Quais são as qualidades exigidas para que uma pessoa seja aceita em determinado grupo? Qual a razão de aquele amigo chato não ser tido como chato quando situado num outro grupo? É o subjetivismo que impera na determinação de tais questões?
 
Podemos observar que uma das “regras” que estipula o aceite em certos grupos é o fato de indivíduo se encaixar em uma categoria que rege aquela reunião de pessoas. Os gostos das pessoas acabarão muitas vezes por reuni-las. Um estilo musical, por exemplo, apreciado por diversas pessoas esparsas, acaba muitas vezes sendo um fator-liame determinante. O gosto por determinado esporte, de igual forma. Esses agrupamentos ocasionais (ou não) já podem ser vistos na mais tenra idade. Os “grupinhos”, ou as “panelinhas”, já vão sendo formados numa das primeiras oportunidades sociais de encontro compulsório de pessoas: a escola. Logo nos primeiros dias de aula, aos poucos, os grupos já vão se formando. Por mais que haja uma divisão de alunos estabelecida pela própria instituição de ensino (as turmas), uma divisão não regrada entre a própria turma acaba acontecendo. Geralmente, os mais atenciosos e estudiosos acabam por se juntar (sentando nas primeiras carteiras, quando não há um nefasto mapa de sala determinado pela escola ou pela professora), enquanto os mais agitados formam o seu próprio grupo. Desenvolvendo-se as relações, com o passar do tempo, grupos mais coesos acabam se originando – não necessariamente aqueles mais chavões, mas com a dinâmica que vai se desenvolvendo no agrupamento maior ali existente (que vai para além da turma, ou seja, abrangendo a escola toda), grupos de todos os jeitos são formalizados. Daí que se vê o mesmo pessoal que permanecem quase sempre juntos nos intervalos, na entrada e na saída da escola. Com o passar dos anos, a situação continua a mesma, mudando apenas eventualmente os amigos que fazem parte do mesmo agrupamento.

E o que define ou explica a afinidade que se estabelece em tais grupos? Naquelas reuniões em que há uma particularidade que se evidencia notoriamente, a constatação é aparente. É grupo de pessoas que estuda uma mesma área, é o pessoal que torce para o mesmo time, é a galera que costuma frequentar o mesmo bar, enfim, quando o fator que determina a reunião é perceptível, a explicação para o agrupamento também o é.

No entanto, e quando não é observável tal fator determinante? Provavelmente haverá um ponto específico que acaba por ligar os membros do grupo que aparentemente não possuem qualquer semelhança entre seus gostos. Torcedores de times rivais podem ser melhores amigos, de modo que outro será o fator responsável pela amizade próxima. Um grupo de amigos que se origina no trabalho muitas vezes acaba possuindo tão somente o fator “trabalhar no mesmo lugar” como liame responsável pela coesão do grupo, já que tal agrupamento pode contar com pessoas com diferentes religiões, times, gostos musicais, locais que apreciam ir, origens e afins.

A dinâmica de uma relação, sob tal prisma, pode ser tida como caótica ao se considerar a busca pelo fator determinante da coesão, pois em determinados casos é difícil buscar o liame fundante. A primeira impressão, uma boa conversa inicial, a exposição de defeitos num momento posterior – quando o relacionamento já estiver mais firme, a menção de algo agradável à ambos, enfim, a explicação pode ser dada em diversos vieses, assim como algo em sentido contrário pode explicar o motivo da repulsa ou não aceite por alguém ou por um grupo. Seja como for, a dinâmica sempre se faz presente, dividindo-se em diversos e mínimos detalhes que poderiam explicar a ligação (ou a sua ausência). A subjetividade também não foge à regra, já que um mesmo indivíduo expondo as mesmas características acaba sendo aceito em determinados relacionamentos e grupos, enquanto em outros não.

Fonte: http://literatortura.com