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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Evasão Escolar no Brasil

Evasão Escolar no Brasil: O papel do gestor na retenção dos alunos



Por Luísa França

Imagine a seguinte situação: aos 15 anos, Gabriel não vai continuar os estudos. Ele tem dificuldades de aprendizagem e não vê como as matérias ensinadas na escola vão ser úteis no seu dia a dia. Por incrível que pareça, essa é a realidade de milhares de crianças espalhadas pelo país.

A taxa de evasão escolar no Brasil é a terceira maior do mundo: em média, 24% dos alunos, como Gabriel, não concluem o Ensino Fundamental até os 16 anos. Em uma lista com os 100 países com melhor IDH no mundo, o resultado só não é pior que o da Bósnia e o das ilhas São Cristóvão e Névis, no Caribe.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação brasileira, 41,5% dos jovens não concluem o Ensino Médio até os 19 anos - ou seja, quase metade dos jovens não concluem a Educação Básica na idade adequada. Os motivos são vários, englobando desde as dificuldades financeiras que obrigam o estudante a trabalhar, até a falta de interesse pelo processo de aprendizagem.

Mesmo com esse cenário desfavorável, de difícil resolução — e que depende de medidas enérgicas do poder público — algumas atitudes de um bom gestor escolar podem ajudar a melhorar essa situação. No entanto, antes de conhecê-las, é preciso entender em maior detalhe os fatores que geram a evasão escolar e quais são as consequências que decorrem dessa prática.

Fatores que geram a evasão escolar no Brasil


Conforme mencionado, as causas que levam à evasão escolar são numerosas e variadas. As razões mais frequentes abrangem a ausência de interesse pela escola, os transtornos ou dificuldades de aprendizagem, a necessidade de trabalhar, a falta de estímulo familiar, as questões de saúde, os problemas com o acesso ao estabelecimento de ensino, entre outras.

O primeiro motivo está diretamente ligado ao contexto educacional em que o aluno está inserido e existem diferentes razões associadas a ele. A ausência de interesse pela escola pode ser ocasionada por diversos fatores, entre os quais estão a proposta pedagógica da escola, o tipo de metodologia empregada pelos professores e a adoção de práticas que privilegiam o produto da aprendizagem, mas que pouco se ocupam do processo. Em geral, são posturas que não colocam o aluno como protagonista.

As dificuldades de aprendizagem também podem ser de natureza múltipla. A defasagem de competências e habilidades que já deveriam ter sido desenvolvidas em anos anteriores, a incompatibilidade entre o método de ensino docente e os nível de aprendizagem dos alunos, bem como a falta de investimento em tecnologias que facilitam o processo educacional são os principais fatores associados.

No que se refere a outras causas apontadas - como os transtornos de aprendizagem, a falta de estímulo familiar e os problemas com o acesso ao estabelecimento de ensino - embora não estejam diretamente ligadas à escola, podem receber a intervenção desta. Isso é possível por meio de ações mediadoras por parte da instituição com a finalidade de minimizar esses tipos de condições desfavoráveis.

As principais consequências da evasão escolar

A evasão escolar traz consequências tanto para o aluno que evade quanto para a instituição em que ele estava estudando. O estudante que deixa de estudar pode não ter mais motivação ou mesmo condições para voltar à sala de aula, o que leva ao despreparo profissional formal e tende a ocasionar maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Soma-se a isso a sua privação aos processos de letramentos acadêmicos oferecidos somente na escola e essenciais ao exercício da cidadania.

No caso da instituição de ensino, a evasão contribui negativamente para o cálculo das taxas de rendimento escolar, pois esses índices têm como base o somatório do número de estudantes aprovados, reprovados e evadidos em um dado ano letivo. Tais taxas são de suma importância para a escola, uma vez que são usadas para o cálculo do Ideb – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica –, fundamental para o monitoramento da qualidade da instituição.

A seguir são apresentadas algumas práticas que um bom gestor de ensino pode adotar com o objetivo de diminuir a evasão escolar na sua instituição. Tratam-se de atitudes benéficas não só para os alunos, que tenderão a dar continuidade em seus estudos, mas também para a escola, que fará jus à sua atividade-fim e melhorará os seus índices de fluxo.

Práticas que contribuem para a redução da evasão escolar




1. Acompanhar a frequência do aluno

O gestor escolar, por mais que seja um profissional ocupado com as várias questões que envolvem gerir uma escola, pode estar mais presente no dia a dia da sala de aula. Procurar conhecer os alunos de perto, acompanhar o desenvolvimento dos professores e conversar com os funcionários da escola são algumas das boas práticas que podem ser implementadas nesse sentido.

Para diminuir os números da evasão escolar, uma atitude simples, mas de grande importância, é acompanhar a frequência dos alunos. Se você perceber que um estudante passou a faltar demais ou que mudou seu comportamento de um ano para o outro, pode ser um sinal de que as coisas não estão indo bem em casa.

Converse tanto com o estudante quanto com sua família, procure entender os motivos das faltas e se esforce para buscar soluções que ajudarão a reverter a situação, para mantê-lo dentro da sala de aula. Em casos mais críticos, é válido manter a atenção redobrada.

2. Investir em tecnologia e na qualidade do ensino

Uma pesquisa feita em 2009 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que 4 em cada 10 alunos que abandonaram a escola alegavam o desinteresse como principal razão para não voltar às carteiras. Segundo o levantamento, esses jovens não viam sentido nas matérias ensinadas e afirmavam que os conteúdos não os estimulavam a ponto de levar a escola a sério.

Uma saída para esse problema é adaptar o método de ensino à geração que está nas escolas hoje, explorando a tecnologia como aliada na sala de aula. Esses jovens cresceram com maior facilidade de acesso à internet, com perfil de participação e interação nas redes também maiores. Portanto, aulas que são, na verdade, grandes monólogos, não os atraem. Propor novas práticas pedagógicas e investir em algumas ferramentas tecnológicas que apoiam o processo de ensino-aprendizagem podem ajudar a reduzir a evasão escolar.

3. Buscar ajuda


Ainda de acordo com a pesquisa feita pela FGV, 27,1% dos alunos também abandonam a escola por ter que se dedicar ao trabalho. Outros 21,7% alegaram outros motivos — como gravidez, problemas de saúde na família, de transporte, etc. Ou seja, levando esses casos em consideração, nem sempre a escola é capaz de resolver o problema daquele estudante.

Nessa hora, é importante contar com uma rede de apoio sólida. O que acontece dentro dos muros de uma escola é problema de toda a comunidade escolar. Em algumas situações, como a necessidade de abandonar o estudo para ajudar na complementação de renda da família, por exemplo, é importante acionar a assistência social da prefeitura de seu município. É ela quem vai entrar em contato com a família e sugerir o ingresso dessas pessoas em políticas públicas específicas.

Ou seja, estar mais presente no dia a dia dos alunos, dos professores e também dos familiares pode ajudar a diminuir a evasão.

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