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domingo, 21 de janeiro de 2018

Filme: Un día un gato - El gato de Cassandra - Az prijde kocour


Um Dia, Um Gato (Az Prijde Kocour – 1963)

Um vilarejo, microcosmo para a nossa sociedade, recebe a visita de um mágico, uma bela jovem e seu gato de óculos escuros. Com poderes especiais, o felino vê os seres humanos com cores diferentes, de acordo com o caráter e os sentimentos deles, por exemplo, um casal de namorados em intensa cor vermelha, os hipócritas e mentirosos em roxo, resultando em um show de cores vibrantes que garantem ao filme uma estética verdadeiramente única, um tom antirrealista onde os personagens dançam sem música, um agradável sonho lúcido. É interessante constatar que os ilusionistas profissionais da trupe circense atuam exatamente retirando o véu de ilusão/falsidade que move os personagens, o que obviamente não os torna uma unanimidade em popularidade no local, já que o mero vislumbre do gato passa a incitar o pavor daqueles que, até por profissão, precisam defender mentiras. Mesmo sem saber o significado das cores diferentes, grande parte da população se desespera e corre para fugir do alcance dos pequeninos olhos. As crianças, puras, intocadas pela hipocrisia adulta, não se incomodam com esse fenômeno, assim como os avermelhados apaixonados, absortos em suas esperanças românticas. Enquanto os adultos caçam o gato, símbolo da queda de suas máscaras sociais, as crianças protegem o bichinho de todas as formas. Uma das alegorias mais bonitas da história do cinema, que nunca resvala no moralismo panfletário, estimulando uma profunda reflexão humanista.

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