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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Separar-se dói, mas também pode ser uma benção


Texto de Monja Coen



É possível separar-se de alguém com respeito e com ternura.



É possível um divórcio verdadeiramente amigável.



Mas para isso é preciso que as duas pessoas envolvidas no processo de desfazer um laço de intimidade tenham amadurecido o suficiente para conhecer a si mesmas.



Caminhamos lado a lado com algumas pessoas em alguns momentos da vida.



Minha professora de hatha ioga, Walkiria Leitão, comentou em uma de nossas aulas:



“A vida é como atravessar uma ponte. Nem sempre as pessoas com quem iniciamos a travessia são as mesmas que nos cercam agora ou com quem chegaremos do outro lado. Mas sempre há alguém por perto. Nunca estamos sós.”



O medo da solidão, muitas vezes, faz com que as pessoas suportem o insuportável. Ou se lamentem após uma separação, apegadas até mesmo ao conflito conhecido.



Ainda há mulheres que sofrem violências morais e até mesmo físicas de seus companheiros ou companheiras.



Ainda há homens que sofrem violências morais e até mesmo físicas de suas companheiras ou companheiros.



Como dar limites? Como conhecer esses limites?



Quando os limites são desrespeitados, as dificuldades começam. Dificuldades que podem levar à separação e ao divórcio. Dificuldades que podem levar ao sofrimento filhos e filhas, animais de estimação, amigos, familiares.



Caminhamos lado a lado.



Ou não.



Quando nos afastamos e nos distanciamos, nunca é repentino.



Um processo que, se desenvolvermos a clara percepção da realidade do assim como é, poderemos prever, antecipar e até mesmo alterar o desenvolvimento do processo.



Entretanto, se não conseguirmos antever o que já acontece, se colocarmos lentes fantasiosas sobre a realidade, poderemos nos desiludir e nos sentirmos traídos na confiança mais íntima do ser.



Professor Hermógenes, um dos pioneiros do yoga no Brasil, fala sobre a criação de uma nova religião chamada “desilusionismo”:



“Cada vez que temos uma desilusão estamos mais perto da verdade, por isso agradecemos.”



Se você teve uma desilusão é porque não estava em plena atenção. Mas não fique com raiva nem de você nem da outra pessoa.



Nada é fixo. Nada é permanente.



Saber abrir mão, desapegar-se – até da maneira como tem vivido – é abrir novas possibilidades para todos.



Por que sofrer? Por que manter relações estagnadas ou de conflito permanente? Ou como transformar essas relações e dar vida nova ao relacionamento?



Apreciar e compreender a vida em cada instante é uma arte a ser praticada.



Separar-se dói, confunde, mexe com sonhos e estruturas básicas de relacionamentos.



Separação pode ser também uma bênção, uma libertação de uma fantasia, de uma ilusão.



Observe em profundidade.



Será que ainda é possível restaurar o vaso antigo?



No Japão, as peças restauradas são mais valiosas do que as novas. Tem história, emoção, sentimento.



Cuidado com o eu menor.



Cuidado com sentimentos de rancor, raiva, vingança.



Esse sentimentos destroem você, mais do que as outras pessoas.



Desenvolva a mente de sabedoria e de compaixão.



Queira o bem de todos os seres. Isso inclui você.



Cuide-se bem e aprecie a sua vida – assim como é –, renovando-se a cada instante e abrindo portais para o desconhecido, o novo – que pode ser antigo, mas novo a cada instante.



Mantenha viva a chama do amor incondicional e saiba se separar (se assim for) com a mesma ternura e respeito com que se uniu.



Esse o princípio de uma cultura de paz e de não violência ativa.



Que assim seja, para o bem de todos os seres.



Mãos em prece.

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