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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Frederico Fröbel, o pedagogo que inventou o Jardim de Infância


Frederico Fröbel, o Pedadgogo alemão que inventou o Jardim de Infância


"A educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana, com todos os seus poderes funcionando com harmonia e completa, em relação à natureza e à sociedade. Além do mais, era o mesmo processo pelo qual a humanidade, como um todo, se elevando do plano animal e continuaria a se desenvolver até sua condição atual. Implica tanto a evolução individual quanto a universal". (FROEBEL, 1826)

Froebel nasceu em Oberweißbach, sudoeste da Prússia, em 21 de abril de 1782. Sendo o sexto filho do pastor protestante Johann Jakob Froebel e de Eleanore Hoffmann.

Froebel foi o primeiro educador a enfatizar o brinquedo, a atividade lúdica, a apreender o significado da família nas relações humanas. Suas ideias foram expostas depois, em 1826, em sua mais importante obra, “Die Menschenerziehung”, “A Educação do Homem”. Ainda neste ano começa a publicação de um jornal semanal -A Família Educadora - destinado a divulgar seu sistema de educação.

Foi também discípulo de Pestalozzi, com quem estudou, em Yverdon, tomando contato com o "Emílio" de Rousseau que tanta influência iria ter na sua pedagogia. Em 1816, fundou, em Keilhau, na Turíngia, o Instituto Alemão de Educação Universal, seguindo o modelo das escolas fundadas por Pestalozzi. O programa de estudos incluía o Alemão, a Aritmética, o Desenho, o Canto, a Religião, a Geografia, a Música, o Grego e a Ginástica.

Sua obra mais importante é publicada em 1826, A Educação do Homem. Em seguida, foi morar na Suíça, onde treinou professores e dirigiu um orfanato. Todas essas experiências serviram de inspiração para que ele fundasse o primeiro jardim de infância, na cidade alemã de Blankenburg. Paralelamente, administrou uma gráfica que imprimiu instruções de brincadeiras e canções para serem aplicadas em escolas e em casa.

Em 1840, Froebel descobre, como que por intuição, o nome apropriado para essa etapa no processo educativo. Será um local onde a criança pequena poderá engajar-se plenamente na atividade criativa: o jardim de infância, "kindergarten". Ali a criança pode desenvolver-se e crescer naturalmente, sem restrições".

Foi ele o primeiro pedagogo a desenvolver jogos e materiais educativos especificamente apropriados ao jardim de infância. "Através de conferências e aulas práticas, Froebel divulga as suas ideias. Também funda e dirige dois institutos para a formação de professores para essa nova e indispensável etapa no processo educativo.

Froebel e a Educação Infantil

Froebel marca a história da educação infantil ao fundar o primeiro Jardim de Infância, o Kindergarten, que era constituído como um centro de jogos, organizado segundo seus princípios e destinado as crianças menores de 6 anos. Seria um ambiente não apenas de aprendizado dos conteúdos tradicionais, mas um espaço ideal onde as crianças e adolescentes estariam livres para aprender sobre si mesmos e sobre o mundo (Construtivismo) tendo a criança como ser ativo do processo de aprendizagem (Vygostsky) .

Em sua metodologia, Froebel valorizou a infância que passou, entre os séculos 18 e 19, a ser encarada como uma fase da vida com particularidades bem marcantes e com duração longa. Dessa época também ressaltamos o surgimento do conceito de adolescência.

Jardim de infância é um termo criado pelo alemão Friedrich Froebel (1782-1852), que foi um dos primeiros educadores a se preocupar com a educação de crianças. Na tentativa de criar um espaço singular para que um _tipo especial de educação fosse realizado, por algum tempo pensou em uma palavra que pudesse explicar esse espaço, denominado por ele Kindergarten, ou "Jardim de infância" em português.

O Jardim de Infância da Escola Froebeliana caracteriza-se por atividades como: canto, jogos, pinturas, palestras, jardinagem, modelagem, olhar gravuras e ouvir histórias (Aprendizagem por meio Lúdico). Froebel criou um material pedagógico muito rico, constituído por sólidos geométricos, gravuras coloridas, trabalhos manuais que consistiam em exercícios sensório-motores (pintura, desenho, recorte, colagem, tecelagem, bordados, etc.), utilizando alguns princípios fundamentais para o processo de ensino da criança: auto realização / auto atividade (a compreensão das coisas da vida, na prática, é mais frutífera e formativa que a simples compreensão teórica); finalidade (realização plena das potencialidades do eu interior, por meio do empenho em se trabalhar um ser livre, independente e disciplinado); o ambiente (propiciar o desenvolvimento máximo das crianças e sua integração).

Assim como a linguagem, Fröebel valorizava a música ( Musicalização Infantil). Muitas das atividades eram desenvolvidas com música, pois acreditava que através da música era possível despertar sentimentos que as palavras, muitas vezes, não conseguem expressar. Sugere uma série de canções para esses momentos e publica em 1844 a obra ‘Canções para a mãe que acalenta o filho’. Esse livro dedicado às mães, com várias canções para ajudá-las a estimular sensorialmente a criança, além de brincar com ela no primeiro mês de vida.

Em toda sua metodologia, Fröebel deixa claro que é por meio da arte – canto, poesia, desenho, pintura, escultura (Pedagogia de Platão) – que o homem, desde a mais tenra idade tenta expressar-se. Sendo assim, ele faz parte de todas as culturas, devendo ser cultivada, pois a criança ao chegar à maturidade, mesmo não sendo um artista, poderá ser um contemplador da arte e do belo.

Toda essa contribuição fez de Fröebel o primeiro pedagogo da educação infantil, o primeiro a romper com a educação verbal e tradicionalista de sua época. Ele propôs uma educação voltada à sensibilidade, baseada na utilização dos jogos e materiais didáticos, que deveriam traduzir por si a crença em uma educação que atendesse a natureza infantil.

A avaliação para Froebel deveria ser feita analisando dois aspectos: como a criança realiza suas atividades enquanto pessoa dentro de um contexto social e como a criança usa os materiais para efetivar as atividades. Quanto à relação professor-aluno, compara o aluno com uma planta e o professor como mãe – jardineiro. É necessário acompanhar o desenvolvimento da criança, se fazer presente, cuidar e proporcionar as melhores condições de crescimento; através de afeto, amizade e uma relação construtiva, humana e justa.

Sobre os materiais pedagógicos idealizou recursos sistematizados para as crianças se expressarem: blocos de construção que eram utilizados pelas crianças em suas atividades criadoras, papel, papelão, argila e serragem. Também destaca os dons que eram bola, cubo e cilindro, os blocos eram utilizados em uma medida bem restrita, enquanto as demais atividades eram mais livres. Todos os jogos que envolvem os dons sempre começavam com as pessoas formando círculos, dançando, movendo-se e cantando.

Froebel considerava a Educação Infantil indispensável para a formação da criança - e essa ideia foi aceita por grande parte dos teóricos da educação que vieram depois dele. O objetivo das atividades nos jardins-de-infância era possibilitar brincadeiras criativas. As atividades e o material escolar eram determinados de antemão, para oferecer o máximo de oportunidades de tirar proveito educativo da atividade lúdica. Froebel desenhou círculos, esferas, cubos e outros objetos que tinham por objetivo estimular o aprendizado. Eles eram feitos de material macio e manipulável, geralmente com partes desmontáveis. As brincadeiras eram acompanhadas de músicas, versos e dança.

Os objetos criados por Froebel eram chamados de "Dons" ou "presentes" e havia regras para usá-los, que precisariam ser dominadas para garantir o aproveitamento pedagógico. As brincadeiras previstas por Froebel eram, quase sempre, ao ar livre para que a turma interagisse com o ambiente. "Todos os jogos que envolviam os ‘Dons’ começavam com as pessoas formando círculos, movendo-se e cantando, pois assim conseguiam atingir a perfeita unidade". Para Froebel, era importante acostumar as crianças aos trabalhos manuais. As atividades ligadas as habilidades expressivas e sensórias despertariam o germe do trabalho em equipe, que, segundo o educador alemão, seria uma imitação da criação do universo por Deus.

Por meio dos brinquedos que desenvolveu, Froebel previu uma educação que ao mesmo tempo permite o treino de habilidades que elas já possuem e o surgimento de novas. Dessa forma seria possível aos alunos exteriorizar seu mundo interno e interiorizar as novidades vindas de fora.  Ao mesmo tempo em que pensou sobre a prática escolar, ele se dedicou a criar um sistema filosófico que lhe desse sustentação para tal teoria.

Contribuições de Froebel para a Educação Infantil

A grande contribuição de Froebel para educação reside em seus estudos e aplicações práticas acerca dos Jardins de Infância, dos quais é considerado o iniciador. Reformador e idealizador educacional de primeira grandeza, professor universitário, com experiência em trabalhos práticos, enfatizou a importância da criança, destacando suas atividades estimuladas e sobretudo o lúdico no processo de aprendizagem da criança.

Devido ao seu temperamento introspectivo passou a observar e interpretar as atividades das crianças, despertando um grande interesse pelas experiências de natureza infantil. Após várias tentativas em encontrar uma profissão de acordo com sua vocação, acabou por descobrir na atividade educativa uma sua aptidão que correspondia aos seus anseios. Sua vida acadêmica iniciou-se com a escola primária, depois entrou para a Universidade de Iena, onde revelou grande aptidão para a matemática, ciências naturais, agricultura e arquitetura. Tornou-se em seguida, professor da escola de Grüner e discípulo de Pestalozzi.

A escola, para Froebel, é o lugar onde a criança deve aprender as coisas importantes da vida, os elementos essências da verdade, da justiça, da personalidade livre, da responsabilidade, da iniciativa, das relações causais e outras semelhantes, não as estudando, mas vivendo-as”. Para que tal vivência ocorra, Froebel considera de muita importância o brinquedo, o trabalho manual e o estudo da natureza, enquanto processos espontâneos na criança e, ao mesmo tempo, meios educativos. Partindo dos interesses e tendências inatos na criança para a ação, o jardim de infância deve ajudar os alunos a expressarem-se e a desenvolverem-se, baseando-se na autoatividade.

A aquisição de conhecimentos está em segundo plano, subordinado ao crescimento através da atividade. O gesto, o canto e a linguagem são as formas de expressão de sentimentos e ideias apropriadas à educação infantil.

A história contada pela professora, por exemplo, deve ser expressa pela criança não somente na sua própria linguagem, mas por meio de canções, representações, figuras ou construção de objetos simples com papel, barro ou outro material adequado. Deste modo, as ideias são olhos treinados, os músculos coordenados, e a natureza moral fortalecida pelo esforço para realizar, de forma concreta e objetiva, os motivos superiores e os sentimentos despertados.

A mais luminosa ideia com que Froebel contribuiu para a Pedagogia Moderna foi a de que o ser humano é essencialmente dinâmico e produtivo, e não meramente receptivo. O homem é uma força motriz e não uma esponja que absorve conhecimento do exterior.

O objetivo do ensino é sempre extrair mais do homem do que colocar mais e mais dentro dele. A criança não deve ser iniciada em nenhum novo assunto enquanto não estiver madura para ele. Educação, para Froebel, é um processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana autoconsciente, com todos os seus poderes funcionando completa e harmoniosamente, em relação à natureza e à sociedade. Enquanto os brinquedos físicos davam força e poder ao corpo, as histórias desenvolviam o poder da mente. As excursões a montanhas e vales eram semanais na escola de Froebel. Na sua opinião, a natureza tinha um enorme poder para auxiliar o menino a compreender a si mesmo e aos outros.

Froebel, valorizava a família, tanto quanto Pestalozzi, abrangendo a função familiar aos planos biológico, social, religioso e educacional. Foi o primeiro educador a captar o significado da família nas relações humanas.

O educador acreditava que as crianças trazem consigo uma metodologia natural que as leva a aprender de acordo com seus interesses e por meio de atividade prática. Ele combatia o excesso de abstração da educação de seu tempo, argumentando que ele afastava os alunos do aprendizado. Na primeira infância, dizia, o importante é trabalhar a percepção e a aquisição da linguagem. No período propriamente escolar, seria a vez de trabalhar religião, ciências naturais, matemática, linguagem e artes. Froebel defendia a educação sem imposições às crianças porque, _segundo sua teoria, elas passam por diferentes estágios de capacidade de aprendizado, com características específicas, antecipando as ideias do suíço Jean Piaget (1896-1980). Froebel detectou três estágios: primeira infância, infância e idade escolar.

Valorizou também a linguagem como sendo a primeira forma de expressão do ser humano, a partir da qual se podem expressar os sentimentos; o desenho também teve grande significado para sua pedagogia, o qual segundo Froebel, desenvolve a habilidade de pensar abstratamente. Outro ponto importante foi o que ele chama de atividades construtivas, nas quais o menino deve participar do trabalho da casa, como por exemplo cultivar seu próprio jardim, de uma a duas horas diárias.

A ludicidade e a Educação Infantil para Froebel

A criança deve ter todas as possibilidades de entregar-se aos jogos e às atividades recreativas, que devem ser orientadas para os fins visados pela educação; a sociedade e os poderes públicos devem esforçar-se por favorecer o gozo deste direito. (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA, 1959).

Ao longo de seu trabalho Froebel pode analisar a importância do jogo para o desenvolvimento da criança de maneira integral, com todas as suas potencialidades. E que as atividades devem ser orientadas não apenas para a diversão, mas para os fins visados pela educação das crianças. Ele ressalta em suas pesquisas, que a brincadeira é a chave para nos comunicarmos com as crianças.

A brincadeira é uma característica essencial na vida das crianças e constitui-se como atividade fundamental para o desenvolvimento da identidade da criança. Daí a importância dada por Froebel ao desenvolvimento de atividades lúdicas nesta fase tão importante do desenvolvimento do ser humano. Ele foi o primeiro educador a utilizar o brinquedo, como atividade, nas escolas; as atividades e os desenhos que envolvem movimento e os ritmos eram muito importantes.

Para a criança passar a se conhecer, o primeiro passo seria chamar a atenção para os membros de seu próprio corpo, para depois chegar aos movimentos das partes do corpo. Os blocos de construção, chamados de materiais específicos, eram usados pelas crianças nas suas atividades criadoras. Trabalhava-se com outros tipos de materiais, como: papel, papelão, argila e serragem.

Froebel em suas pesquisas comprovou que a utilização das brincadeiras colabora e muito para o desenvolvimento da criança nesta fase, bem como, a importância da utilização do brinquedo como prática pedagógica. Com as brincadeiras, a criança pode se projetar para o futuro por meio da imaginação, além de ajudar as crianças a desenvolverem a sociabilidade, o psicológico e o psicomotor, contribuindo para o desenvolvimento da criatividade e potencialidades de cada uma.

Brincar é fonte de lazer, mas é, simultaneamente, fonte de conhecimento; é esta dupla natureza que se leva a considerar o brincar parte integrante da atividade educativa. Além de possibilitar o exercício daquilo que é próprio no processo de desenvolvimento e aprendizagem, brincar é uma situação em que a criança constitui significados, sendo formada tanto para a assimilação dos papéis sociais e compreensão das relações afetivas que ocorrem em seu meio, como para a construção do conhecimento.

 O jogo e a brincadeira são sempre situações em que a criança realiza, constrói e se apropria de conhecimentos das mais diversas ordens. Eles possibilitam, igualmente, a construção de categorias e a ampliação dos conceitos das várias áreas do conhecimento. Neste aspecto, o brincar assume papel didático e pode ser explorado no processo educativo.

Brincar é uma atividade universal, encontrada nos vários grupos humanos, em diferentes períodos históricos e estágios de desenvolvimento econômico. Evidentemente, as várias modalidades lúdicas não existem em todas as épocas e também não permanecem imutáveis através dos tempos. Como toda atividade humana, o brincar se constitui na interação de vários fatores que marcam determinado momento histórico sendo transformado pela própria ação dos indivíduos e por suas produções cultural e tecnológica. Os jogos e as brincadeiras são assim transformados continuamente (OLIVEIRA, 1992. p. 17).

Froebel utilizou a brincadeira para analisar o comportamento das crianças. Ele observava muito a maneira de agir das crianças e chegou a conclusão que elas se valiam de símbolos na hora de brincar. Sua filosofia deixou grandes contribuições para a educação infantil e se tornou referencial para a pedagogia, filosofia, psicologia entre outras áreas do conhecimento.

Foi preciso que houvesse uma profunda mudança da imagem da criança na sociedade para que se pudesse associar uma visão positiva a suas atividades espontâneas, surgindo como decorrência à valorização dos jogos e brinquedos. O aparecimento do jogo e do brinquedo como fator do desenvolvimento infantil proporcionou um campo amplo de estudos e pesquisas e hoje é questão de consenso a importância do lúdico.

“Entretanto, sugere que, no início, a educação deve ser "somente protetora, guardadora e não prescritiva, categórica, interferidora" e que o desenvolvimento da humanidade requer a liberdade de ação do ser humano, "a livre e espontânea representação do divino no homem", "objeto de toda educação bem como o destino do homem". Entende que é destino da criança “viver de acordo com sua natureza, tratada corretamente, e deixada livre, para que use todo seu poder”. A criança precisa aprender cedo como encontrar por si mesmo o centro de todos os seus poderes e membros, para agarrar e pegar com suas próprias mãos, andar com seus próprios pés, encontrar e observar com seus próprios olhos “ Conceito da Autonomia” (FROEBEL, 1912, p.11).

Referências Bibliográficas

ARCE, Alessandra. A pedagogia na “era das revoluções”: uma análise do pensamento de Pestalozzi e Froebel. Campinas: Autores Associados, 2002.

FRIEDRICH FROEBEL (1782 A 1852). Disponível: www.pedagogiaespirita.org/escola_virtual/pedagogia/froebel.htm> Acesso em: 15 abr. 2010.

Artigo Prof. Marcos L Souza
Licenciado em: Pedagogia, História, Música e Educação Física. Pós-graduado em Psicopedagogia, Ed especial, Alfabetização e Letramento, Ludipedagogia.  Mestre em Educação e Ciências da Religião.  Consultor, formador de educação Inclusiva, pesquisador, palestrante, escritor e cronista.  Mestre em Educação e Ciências da Religião. Membro da ULA (União Literária de Anápolis). Membro da ALBA (Academia de Letras do Brasil cadeira 23).

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