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sábado, 3 de novembro de 2018

Todos queremos ser felizes


Lama Michel faz uma reflexão sobre as relações humanas em período de eleições: ”O macro não existe sem o micro”

por Lama Michel


O macro não existe sem o micro. Qualquer realidade que a gente observe, por mais que ela pareça massiva e grande, existe na dependência de pequenas partes unidas, sem as quais ela não pode existir. Da mesma maneira, qualquer mudança que a gente queira criar, apenas vai ser possível através de pequenas ações e mudanças. Tudo aquilo que a gente vive é resultado de várias experiências. Muitas vezes nós temos a tendência de responsabilizar o macro e tirar o poder do micro, quando, na verdade, a única possibilidade de mudança se encontra no micro, não no macro.

Felicidade, um ideal comum

Na realidade, somos todos iguais. Mesmo que pareçamos tão diferentes uns dos outros, é no aspecto mais profundo da nossa humanidade que somos todos iguais. Independentemente da cultura, da classe social, dos ideais políticos, da religião ou de qualquer outro aspecto, todos nós queremos ser felizes. Nenhum de nós deseja o sofrimento. Todos nós, sem exceção, fazemos tudo aquilo que fazemos achando que é o melhor para a nossa felicidade, mesmo que muitas vezes estejamos sendo guiados pela nossa própria ignorância sem perceber.

A base para que a gente possa criar algo junto é reconhecer que estamos indo em uma mesma direção e temos o mesmo objetivo. Assim, começamos a concretizar uma união entre nós. Cada vez que estamos diante de uma pessoa, temos que nos lembrar que queremos o mesmo: ser feliz e evitar o sofrimento.

“Todos nós, sem exceção, fazemos tudo aquilo que fazemos achando que é o melhor para a nossa felicidade”
Lama Michel

Desejar, imaginar: realizar

Como um dos meus mestres dizia, a primeira coisa que devemos fazer para que algo ocorra é desejá-la, imaginá-la. Justamente porque muitas vezes a parte mais difícil não é realizar, mas, sim, ver e imaginar aquilo que nos faz sentido. Não no sentido de acreditar no impossível, mas de criar o futuro. É fundamental podermos ter uma imagem do que queremos ser, tanto do ponto de vista material, quanto do espiritual e também enquanto sociedade. Se nós pudermos sonhar e desejar o que queremos, isso vai nos gerar um objetivo alto, porém é sempre importante ter expectativa baixa e esforço constante.


Não devemos colocar nossos objetivos em um contexto de tempo e de forma, e sim ter um esforço constante. Onde quer que exista interação, existe poder de transformação.

Amor para curar

É muito bom ser amado, e nós fazemos muitas coisas para sermos amados. Desde a nossa forma de falar, de agir, de se vestir e de aparecer aos outros. Todos nós, na maioria das vezes, queremos ser amados: é muito bom ser amado! Porém, amar é ainda muito melhor. Abrir nosso coração de verdade ao outro e antes de tudo poder ver o outro independentemente de nós mesmos é algo que preenche a nossa vida de significado e alegria extremamente superior a qualquer felicidade superficial que obtemos através da realização dos nossos desejos.

Nada contra realizar desejos, mas quando comparamos o estado de satisfação e felicidade através de um sentimento verdadeiro e profundo de amor, observamos que ele é muito maior do que qualquer realização de desejo pessoal. Esse amor é algo que devemos cultivar no nosso dia a dia, como também o simples fato de desejar que as pessoas sejam felizes. Se pudermos cultivar esse sentimento de amor, teremos a base para o nosso próprio bem-estar e o bem-estar daqueles que estão à nossa volta. É através do micro que chegamos ao macro.

Nossa parte no todo

Quando algo que não gostaríamos ocorre, sempre nos perguntamos o motivo. E tentamos muitas vezes buscar um culpado, nem que seja nós mesmos. A realidade é que, quando podemos observar com um pouco mais de clareza, vamos ver que nada acontece apenas por uma única causa. Tudo o que ocorre é resultado de muitas e muitas coisas que vão se unindo e criando a realidade na qual a gente vive.

“O fato de culpar o passado é uma forma de tirar nossa
responsabilidade do presente”
Lama Michel

Para mim, é muito importante o fato de a gente não se perguntar quem são os culpados. Mas principalmente entender o que nós devemos fazer com aquilo que temos hoje e quais são as ações no momento presente que podem transformar esse presente em um futuro melhor. Muitas vezes, o fato de culpar o passado é uma forma de tirar nossa responsabilidade do presente. Mas o passado não depende mais de nós. O futuro sim.

Lama Michel foi homenageado no Trip Transformadores de 2015. Assista sua história.


Aos 5 anos de idade, ele foi reconhecido como a reencarnação de um iogue e mestre tibetano. Aos 12, começou na vida monástica: por 11 anos, viveu em um monastério na Índia, para receber a formação dedicada aos Lamas – e para estudar Budismo, Tantra, medicina e astrologia. Hoje, aos 34 anos, Lama Michel orienta centros budistas na Itália e o Centro de Dharma da Paz, em São Paulo. Presidente da Fundação Lama Gangchen para a Cultura de Paz, divide seu tempo entre a casa na Itália e as viagens pelo mundo para dar sequência ao trabalho de seus mestres, compartilhando conhecimento com o intuito de ajudar as pessoas a ter uma visão mais clara da vida e, assim, eliminar o sofrimento. Autor dos livros: Uma ideia de paz e Coragem para seguir em frente, ele diz que o sentido da vida está no processo de escutar, refletir, compreender e compartilhar. E assim chegar à felicidade.

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